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terça-feira, setembro 21, 2004

Aprendam com quem sabe!

Saudações cordiais meus caros amigos, leitores e comentadores deste humilde blog!

Numa destas minhas ocasiões de leitura da revista semanal “Visão” encontrei algo que me impressionou deveras. Não se tratava das imagens do massacre de professores, alunos e respectivas famílias portuguesas uma vez que isso já é um precedente deste bom governo de coligação.Era algo melhor. Algo que nunca pensei ouvir de um grande homem de negócios do nosso Portugal dos pequeninos, o sr. Ludgero Marques. E rezava assim o pequeno artigo:

O Fim dos Doutores e Engenheiros...
Desde que a Associação Empresarial de Portugal (AEP) tornou pública a nota interna que aboliu o tratamento por «senhor douto» ou «senhor engenheiro» que o telefone não pára de tocar.São várias as empresas que, ao mesmo tempo que dão os parabéns pela medida tomada, pretendem saber em que legislação se fundamentou tal decisão para que possam avançar com igual medida dentro de portas. O possível fim do provincianismo lusitano causou mesmo surpresa na vizinha Espanha e houve até um jornal da Galiza que entrevistou o engenheiro, perdão, o sr. Ludgero Marques acerca do assunto.No final, o galego não escondeu o entusiasmo, considerando que a abolição dos títulos académicos no tratamento institucional iria facilitar imenso as relações luso-ibéricas.
... e o embaraço das secretárias
(...) , a verdade é que tal medida está a causar grandes embaraços nas secretárias. Habituadas à bengala do «dr.» e «eng.» para dialogarem com os chefes, a língua não descai agora facilmente para o simples«senhor» ou «senhora», designação geral aprovada em conselho de administração. Vai daí, e Ludgero Marques já passou a «senhor... presidente».
in Exemplo, Visão n.º 602 de 16 de Setembro de 2004


Ora aqui está um verdadeiro exemplo dado por um homem do norte!
Ludgero Marques - Licenciado em Engenharia Mecânica, vem acumulando há anos um grande prestígio nacional e internacional como empresário. À frente da AEP - Associação Empresarial de Portugal durante 20 anos, Ludgero Marques consegue dar uma lição às tentativas frustradas de grandes empresários e gestores portugueses que vivem um pouco à custa do respeito ridículo dos «eng.» e do «dr.».
Trata-se de divulgar e implementar um reconhecimento, não por um grau académico mas por mérito e provas dadas no mundo do trabalho, reconhecimento esse que é muito deficitária nos nossos grandes gestores empresariais.
Pessoalmente, com curso ou sem curso, respeito as pessoas que me respeitam. Sejam elas, doutores, engenheiros, agricultores, colegas desempregados, e o diabo a sete! Só não tolero muito bem os senhores doutores sem consultório, ou sem doutoramento. Quanto a engenheiros, …Não tenho muito a apontar, uma vez que as pessoas que conheço são maioritariamente da área de humanidades, e os que são de ciências e engenharia, só aceitam o nome de engenheiros se ocuparem os devidos cargos, e como nenhum ocupa … somos todos simplesmente amigos, ou conhecidos.

Uma boa semana para todos, os que trabalham, os que estudam, e os que vão às entrevistas, como eu!

A licenciada em desgraça
Letra Negra

sexta-feira, setembro 17, 2004

Afinal...



Tinha que vos revelar esta imagem inédita que encontrei
do Sr. Bagão Feliz. Para ser verdadeira vi-a aparecer diante de mim depois de assitir à entrevista na RTP1.

Afinal, e apesar de negar sempre, o Bagão Feliz tem mesmo uma varinha mágica.

Mas isso era mínimo, ele que tivesse até o fato todo do Harry Potter por mim era indiferente, mas o pior é que ele já começou com as suas magias maléficas:
Desde anular os planos estratégicos para as Finanças da
ex-ministra Ferreira Leite, passando pelo desaparecimento das bonificações dos Planos Poupança Habitação e Planos Poupança Reforma, ele aos poucos começa a sua obra maligna..

"- Mas o senhor Feliz não faz magias boas como o Harry Potter?"
Parece que não meus amigos...


Mas vamos lá ver se esta versão rasca de Harry Potter não se vai dar mal. Afinal onde é que está a estabilidade e continuidade nos planos do anterior governo que serviu para que o Jorge 'Almighty'não dissolver o Governo?... Não acho que estejam aqui.
Como a noite já vai bem avançada (são agora 03.23 A.M.) espero estar suficientemente cansada para não ter pesadelos com este bicho feio.
Ide em paz e sorriam, amanhã é fim-de-semana :D
a vossa sempre atormentada
Letra Negra

quinta-feira, setembro 16, 2004

Qualquer semelhança com a realidade...

É pura coincidência!

35 anos depois, o Bagão Feliz resolveu ressuscitar o conceito Marcelista das "Conversas em Família" e veio fazer uma "conversa à nação".

Não tão dissimuladamente como o precursor do conceito, Bagão veio falar aos portugueses num tom igualmente paternalista sobre as finanças do país como se tratasse de uma família portuguesa a viver acima das possibilidades.
Da minha família não estava a falar, e da vossa meus bons leitores, creio que também não.

Depois conjecturava sobre muitos assuntos perfeitamente descabidos, a existência de demasiados funcionários públicos...

É um facto, ser funcionário público no nosso país continua a dar direito a umas quantas regalias, a nível de saúde e segurança laboral. Por exemplo, não têm aumentos como nos sectores privados, mas comparativamente com os trabalhadores do sector privado, não precisam de viver com o coração nas mãos com a situação do despedimento uma vez que passem ao tão invejável "quadro" de onde ninguém os tira.

Mas voltando à existência de demasiados funcionários, se o senhor estava a falar de atendimento público tenho de lhe dizer que não acredito, senão vejamos, não verificávamos os atrasos nos reembolsos do IRS, os sucessivos enganos nas atribuições de colocações dos professores, fora as senhoras muito simpáticas do atendimento ao público que devem ter todas graves problemas urinários que as impedem de ficar muito tempo sentadinhas a atender as pessoas que se vêem obrigadas a recorrer a tão célere e agradável esclarecimento.

O outro ponto desta nossa família a viver acima das possibilidades, foi o anúncio que teríamos que continuar os esforços para alcançar o défice estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Eu faço a pergunta, provavelmente errónea, Onde é que foram parar os milhões que entraram no nosso país com o Euro 2004? Já sei! Foi para pagar os estádios,... Mas já não estavam pagos? Confesso, não sei!

Como é que crescemos alguma coisa se desmoralizamos cada vez mais os que trabalham e optamos por despedir boa parte da mão-de-obra qualificada que trabalha?
Eu ainda acredito que este governo de coligação de extrema-direita, confundiu a “Estabilidade”, com “Estagnação”

Pior que isso, creio que, se a Manuela Ferreira Leite nos dizia: "apertem o cinto!", o Bagão Feliz veio dizer-nos, sempre em registo paternalista: "Vou apertar vos o pescoço!".

Estamos cada vez mais próximos do antigo modelo da extrema-direita que vigorou em Portugal, e o bom do Primeiro-Ministro, que não é tão à direita quanto isso, está mais entretido em manter e promover as relações entre Portugal e Brasil.
É uma opção menos nefasta de conduzir o país, mas…

Não se pode fazer muito, ou melhor não se pode fazer nada.

Que venha a corda para me enforcar que assim sou menos uma dessas pessoas a viver acima das minhas possibilidades e a pesar para o orçamento de Estado!

Bem-haja caros amigos, leitores e comentadores, da nossa desgraça,

Letra Negra


quarta-feira, setembro 08, 2004

Onde é que estava no dia 11 de Setembro de 2001?

Saudações caríssimos leitores!

Ao que consta o Borndiep teve de voltar à Holanda depois de dias atribulados em águas internacionais mas sob vigilância da Corveta F486 que até parecia fazer um trocadilho de muito mau gosta ao RU 486 (também conhecida como Mifepristone, a "pílula abortiva").
Mas esta situação está meramente em empate técnico visto ter relembrado o assunto na mente dos Portugueses e Portuguesas. Só um pequeno apontamento a este assunto que, nem todas as pessoas tiveram acesso pela via televisiva:

A Ordem dos Enfermeiros (OE) instaurou hoje (10/09) um inquérito ao profissional do Hospital Amadora-Sintra que denunciou à polícia uma mulher que praticou um aborto e que será julgada em Outubro na sequência desta queixa. Num comunicado hoje divulgado, a OE afirma que se impõe "a abertura de um processo de inquérito" para averiguar a eventual quebra de sigilo profissional por parte do enfermeiro. Mais

Comentário único: Afinal a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) ainda existe!

Mas agora tratando do assunto que eu aqui vos trouxe hoje: onde é que vocês, leitores/comentadores do meu modesto blog, estavam no dia 11 de Setembro de 2001?

Foi exactamente às 13.46 de Portugal que o primeiro avião embateu com a primeira torre gémea.
Existe algo que nunca me vou esquecer desse dia. Para além de estar a trabalhar, estava especialmente radiante porque tinha conseguido voltar ao meu part-time nocturno. Deveria ter tomado isso como um presságio mas na altura era tanta a agitação. Estava a começar os procedimentos de preparação do processo de facturação quinzenal. Começaram os telefones a tocar. Toda aquela gente a fazer conjecturas, a tagarelar, a ver se na net vinha alguma informação, ou se tudo aquilo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Não era nenhuma brincadeira de mau gosto mas, também não era o início do fim do mundo como eu também ouvi naquela tarde.
A equipa do meu trabalho nocturno era um pouco mais contida. Não havia ambiente para grande confusão naqueles tempos, mas nada impediu a chamada 'ala dura' (eu, um amigo e o meu namorado da altura) de nos juntarmos ao jantar a discutir o que viria a seguir.
Ninguém estava à espera de um senhor Bush, que na altura era um perfeito falhanço, iniciasse esta onda de terror.
A farsa do ataque ao Afeganistão. Depois a introdução do conceito de guerra preventiva que está a acabar com toda uma geração de jovens norte americanos. As baixas da invasão do Iraque já fizeram mais baixas entre os soldados do que o malogrado Vietname.
Apareceu também por essa altura essa figura fantasmagórica do terrorista Bin Laden que concebeu todo o plano maquiavélico do 11 de Setembro.
Esse terrorista inteligente que ainda não foi capturado pelas forças armadas de G.W. Bush e a grande coligação contra o eixo do terror.
A tal coligação à qual Portugal pertence. E pergunto eu, porquê?
Nunca percebi bem, onde é que Portugal foi alvo de terrorismo internacional, nomeadamente Al-Qaeda?
Devemos colaborar numa invasão a um país que nada nos fez? Nem a nós, nem a nenhum dos países que o invadiram...

E já passaram 3 anos que eu, e o mundo, vimos a nossa vida a mudar com este atentado terrorista.
Paz às almas dos que morreram nesse dia e, especialmente, a todos aqueles que se viram envolvidos nesta demente campanha anti-terrorista póstuma aos acontecimentos.

Um minuto de silêncio a todos estes desconhecidos.

Letra Negra

Só um P.S:
A taxa de desemprego 6.9%
Jorge 'Almighty' diz estar preocupado com o futuro das novas gerações à mercê de empregos precários...Será que ele se lembrou disso quando estava a decidir a manutenção deste governo de sucesso?

Iletrados, Analfabetos e Analfabrutos!

Bom dia, meus bons leitores!

Desde o último post as notícias são cada vez menos animadoras.

Desde o fim-de-semana de luxo que ficou apelidado como, Conselho de Ministros extraordinário, que teve lugar no Convento do Bom Jesus de Valverde, em Évora, no qual Santana Lopes quis ouvir os seus ministros; enquanto o BornDiep teve que fazer como as mulheres portuguesas, teve que ir a Espanha porque em Portugal não se pode fazer nada...

Para ajudar à situação, o Tribunal Administrativo de Coimbra decidiu que a interdição do «barco do aborto» em águas territoriais portugueses foi legítima. Decisão que fez com que o ministro da Defesa mudasse de ideias e marcasse uma conferência de imprensa, com direito a directos televisivos para dizer que está satisfeito com a decisão do tribunal e que a sentença dá toda a razão ao Governo, que parece, continuar a ser representado unicamente por Paulo Portas.
Mais à frente na mesma notícia refere-se uma pergunta desagradável que eu pessoalmente também colocaria ao grande ministro:

"Qual a razão de o Ministério da Defesa ter convocado uma conferência de imprensa para hoje, no dia em que o Ministério do Ambiente adiou uma conferência de imprensa por motivos de luto (morte do presidente do Tribunal Constitucional)?"
Paulo Portas respondeu que se tratava de «uma sentença substancial, merecendo, por isso, a devida resposta».

Não existem limites para a arrogância desta personagem?
Já está na hora de alguém pôr termo nestas faltas de respeito por hierarquias, personalidades públicas e especialmente pelas mulheres portuguesas!

Como se não bastasse, a Associação Portuguesa de Maternidade e Vida, já apresentou uma queixa contra a Rebeca Gomperts, presidente da organização Women on Waves (WOW) porque nesta nossa democracia não se pode dizer que o sistema tem falhas. Ou seja, estão publicados no site do WOW os nomes dos tais fármacos indutores de aborto e em regime de venda livre em Portugal.

Mas que país de pessoas atrasadas é o nosso?
Não. Peço desculpa. Não são pessoas atrasadas, são zelosas pelas leis, bons costumes e pela soberania nacional e, não desejam cá dessas coisas dos abortos, ou lá o que é isso, porque, se tivermos azar, existe sempre dinheiro para ir a Espanha. Não para abastecer como o Borndiep, mas ABORTAR!!!

"Portugal tem quase um milhão de analfabetos e é o país da Europa com maior percentagem de pessoas que não sabem ler nem escrever, apesar de o analfabetismo ter diminuído 17 por cento nos últimos 30 anos. "

Analfabetos, iletrados e preguiçosos mentais...
Pudera que seja a extrema-direita à frente dos destinos da nação portuguesa, faz lembrar o Portugal do tempo do outro senhor mas sem as colónias ultramarinas, sem os empregos, sem regime autoritário internacionalmente reconhecido.

Agora vou-me.
Vou concorrer a mais uns anúncios de emprego. Pode ser que seja desta que apareça o tal emprego que eu preciso, e que também precisa de mim.

A vossa comentadora da desgraça,

Letra Negra

sexta-feira, setembro 03, 2004

Discutir sem decidir?

Boas tardes caros amigos leitores e comentadores!

Ao que parece devo ser das únicas pessoas que acha que este caso do "barco do aborto" só veio demonstrar que quem realmente manda alguma coisa neste país é a extrema-direita.
É simples.
O caso foi desde o primeiro instante controlado pelo senhor Ministro de Defesa e dos Assuntos do Mar - Não precisamos de invocar o nome desse senhor.
A noção de respeito pelas hierarquias não deve ser disciplina forte do senhor que interditou, e resolveu muito rapidamente a situação sem consultar a autoridade máxima desses assuntos a nível nacional, ou seja o Presidente.
Agora surge a questão, é isto, proactividade ou desrespeito?
Nem uma nem outra. O próprio Primeiro-ministro alega que não incomoda o Presidente com todos os assuntos, só com os que acha pertinentes a acção do Presidente.

Ok..
A ver se eu percebi - e vós desse lado do monitor digam se estou a incorrer em erro - as atitudes tomadas durante este processo, que ainda não acabou, são para ser geridas por que órgão da soberania?
Como isto é um assunto de respeito, ou desrespeito pela soberania nacional deve ser tratado com o Presidente e restante governo, certo?
Como problema de saúde pública, deveria ser tratado com o Ministério da Saúde, e institutos afins, certo?
Então porque é que foi um senhor de extrema-direita que, por acaso é ministro da defesa e assuntos do mar, a resolver o caso à sua maneira muito sui generis?
A embarcação Borndiep que continua ao largo da Figueira da Foz, está a ficar sem combustível nem mantimentos.

Depois vem o Primeiro Ministro, não tão à Direita como o Ministro dizer que devemos ser tolerantes e que é muito saudável discutir este assunto e provavelmente falaremos deste assunto assim que começar o ano legislativo…
Declaração que mudou em 24 horas de contornos agora só vai ser debatido na próxima legislatura, ou seja 2006.
Em resumo, falem praí à vontade o que entenderem que o assunto está arrumado até 2006!

Que mentalidade tacanha.
Toda a sociedade civil pretende que seja tomada uma atitude. Afinal, e como o Primeiro-ministro disse: «as leis não são estáticas».
Pois mas não me parece que o processo de evolução e mudança seja muito célere para este governo.
Seja como for, cerca de 70 mulheres já fizeram pedidos à organização do Women on Waves para realizar a tão delicada interrupção voluntária da gravidez.

Mas a tendência é para o assunto morrer na praia e as pobres mulheres portuguesas que se vêm obrigadas a recorrer a esta solução verem a sua situação absolutamente estagnada.
Numa das minhas utopias, desenvolvia-se um método de contracepção simples, de distribuição gratuita e o aborto só seria possível se a vida da mãe e do feto estivesse mesmo em risco. Poderia ser algo semelhante a um “interruptor” que impediria todos os processos de fertilidade no corpo humano e só seriam activados quando a opção de reprodução fosse viável segundo consciência da mulher
Eu disse que era utópico, não disse?
E sabeis o que é a utopia?
É algo que ainda não teve lugar para se realizar.

Bom fim-de-semana!

Letra Negra

quarta-feira, setembro 01, 2004

Encerrado ou limitado?

19 Milhas de distância e sem desordens públicas em solo nacional, a questão do Aborto, continua a levantar muitas ondas.
Corvetas da marinha são uma constante. Mesmo em águas internacionais são uma presença intimidativa ao navio e restantes barcos que ousem aproximar-se.
Não admira que no site Women on Waves a pergunta que surge seja Is this a WAR?"

Tem todos os contornos disso, mas depois ouvem-se as declarações...

"Do ponto de vista do Estado o assunto está encerrado", afirmou o ministro Paulo Portas.
Quem mais se pronunciou a não ser a ala mais à direita deste governo de coligação?
Porque é que o Primeiro-ministro Santana Lopes, e o Presidente Jorge Sampaio, não emitem uma declaração pública sobre este assunto?
O nosso Jorge ‘Almighty’ que (caso os meus leitores não saibam) é o Comandante Supremo das Forças Armadas, tem usado prudência (?) e diz que, não tem informações suficientes para fazer declarações. Já pediu a Santana Lopes um dossier detalhado mas sem deter todas as informações, não emite a sua opinião, apesar de ter já manifesto que não está descontente.

Mas não ficam por aqui as declarações. Passamos para uma outra, esta referida por Paulo Portas, na edição da noite de 30 de Agosto no Noticiário da TVI, e disponibilizada no site Portugal Diário:
Portas acusa a “Women on Waves” «de incitar a actos que, em Portugal, são criminosos», e compara a entrada do barco holandês ao «tráfico de droga, pesca clandestina ou imigração ilegal». «Não é um navio estrangeiro, seja ele qual for, que vem ensinar os portugueses o que devem discutir, quando devem discutir e porque é que devem discutir», alega.

A resposta da organização:
«Paulo Portas não parece querer ouvir que o navio nunca teve nem tem a intenção de distribuir medicamentos em Portugal. A Women on Waves não está a incitar qualquer crime em Portugal»
Será que o arrogante do Sr. já se apercebeu que existe uma diferença conceptual e legal entre Portugal e Águas Internacionais? Ou será que ele não entendeu bem as expressões “Não” e “Em Portugal”?

O meu comentário sobre estas declarações:
É muito melhor, mais conveniente, deixar estes assuntos indigestos longe do pensamento do povo português, e continuar na boa tradição portuguesa de "Não sei de nada, eles que decidam!" Mas eu não participo desse ideal, e creio que uma boa faixa de pessoas interessadas, já nem se recordava bem deste assunto. E agora que nos refrescaram a memória, vamos lá ver o que é que se passa nesta terra para existirem tantas jovens mulheres que não estão minimamente esclarecidas sobre meios anticoncepcionais.

Creio que o objectivo primário da visita da organização está a ser conseguido. Relembrar, debater e tentar entender os factos sobre o assunto Aborto. É urgente debater-se este assunto. Portugal continua a apostar na penalização criminal das mulheres que tenham optado pela interrupção voluntária da gravidez.
Em resumo, continuamos a ser os mais atrasados dos atrasados da Europa.
Eu acho muito triste uma mulher ter que optar pela via do aborto.
Não é uma decisão que se tome de ânimo leve. Mas agora como todo o mediatismo, não sei até que ponto, alguma mulher vai conseguir enfrentar todas estas barreiras para não condenar a sua vida, e a vida de uma potencial criança que poderia ser muito infeliz.
O que é que vocês acham?
Gostava de ler as vossas opiniões.

Até à próxima oportunidade.


Letra Negra
* - Segundo artigo 137º a) da Constituição da República Portuguesa

sábado, agosto 28, 2004

Nada como regressar ao tempo das cavernas!!

Saudações leitores deste meu blog de maledicência.

O meu ultimo post, sobre o assunto do navio holandês Aurora, recebeu um comentário por parte de uma defensora do Não algo pertinente. O que eu achei muito positivo, visto isto ser um espaço de livre discussão e exposição de ideias.

Não que eu tenha adoptado a facção do Não, mas gostei de ver tão bem esclarecidas e defendidas as suas razões de existência.

O que me traz hoje até vós é a minha revolta sobre a evolução dramática do acontecimento.
Durante uns momentos, quando assisti à notícia, pensei: Afinal a Democracia ainda é apenas um ideal utópico.

O Aurora já passou por vários países na Europa mas teve sempre a preocupação de averiguar e não colidir com o direito nacional dos países visitados. Mas em Portugal, não foi o suficiente.
Portugal tinha que ser um país de excepção, o governo interditou a sua entrada e considera que o Aurora representa uma ameaça à saúde pública quando estacionado em águas territoriais portuguesas. Que questão grave de saúde pública faz com que o governo impeça um barco de atracar?
A inexistência de tolerância pela pluralidade das ideias?

A iniciativa da organização Women on Waves incluia espaços de informação pública, esclarecimento e divulgação desta opção.
O real problema é, a tal substância abortiva que o Aurora transporta a bordo. Interessante...

Gostava de perguntar, os barcos que fazem o transporte de petróleo ou resíduos nucleares são intimidados desta forma quando passam perto da Zona Económica Exclusiva Portuguesa?
Não passam dessas 'coisas' nas nossas águas, nem perto!

Mas houve um outro fundamento para a questão da saúde pública. O barco é uma unidade de saúde móvel não certificada pelas autoridades de Saúde portuguesas... Isso quererá dizer que as autoridades de saúde holandesas são diferentes e regem-se por princípios que não a saúde?

Foi alegada outra justificação para proibir a entrada e atracagem do navio:

O secretário de Estado para os Assuntos do Mar, Nuno Fernandes Thomaz, disse:

"É uma questão de legalidade e não de moralidade. Aceitar que terceiros viessem violar a nossa lei tornaria para nós mais difícil exercer a autoridade com os portugueses",

Pronto, então o problema é que as portuguesas poderiam exaltar-se e retomar a questão da despenalização do Aborto.

Bolas que maçada, fazer um novo Referendo?

Ter de voltar a insistir que não se deve despenalizar, voltar a informar e perder tempo e dinheiro com campanhas?

Se nem o nosso Jorge 'Almighty' esteve para nos aborrecer com eleições para escolher um novo governo, a questão do barco do Aborto não levaria a uma situação diferente.

Nada como dar a sensação que estamos num país sem qualquer tipo de direitos, liberdades de expressão e de escolha.

"O Governo português viola o direito internacional. Viemos para respeitar a lei portuguesa mas somos tratados como terroristas que ameaçam a segurança do país" disse Rebecca Gomperts.

Pois é verdade.. mas nós cá somos mesmo assim para as pessoas estrangeiras com ideais progressistas.

Os verdadeiros terroristas têm direito a grandes ovações, apoio político, um cabaz com tudo o que é bom para a saúde.
É uma vergonha mas é este o estado da nossa democracia.


Um resto de bom fim-de-semana,

Infelizmente sempre a comentar desgraças nacionais,

Letra Negra

quinta-feira, agosto 26, 2004

Mulheres prás ondas!

Saudações caros leitores!

A caminho de Portugal vem um navio: o Aurora, "o Barco do Aborto" como é conhecido vem dar oportunidade às mulheres portuguesas que queiram realizar a interrupção voluntária da gravidez em segurança e com os devidos cuidados médicos.

Portugal, assim como a Irlanda e Polónia, permanece como represantante dos países onde a opção de interrupção de gravidez ainda é penalizada. Continua-se a fazer fortunas a realizar verdadeiros atentados à saúde das mulheres.

Mas vamos lá esclarecer uma coisa antes de avançar.

Eu não sou apologista da massificação do aborto, nem acho que isso seja uma boa medida anti-concepcional. Sou defensora de um acompanhamento dessas situações em instituições hospitalares com condições para evitar casos mais danosos como as que são relatadas nos meios de comunicação social, mulheres que recorrem a essa prática clandestina em meios pouco higiénicos e que acabam por morrer.

O último caso que tive conhecimento foi o de uma mulher que foi encontrada morta, abandonada num caminho porque a 'intervenção' tinha corrido mal e não convinha nada saber-se quem teria sido o assassino, ou assassina. Sim meus amigos, são verdadeiros crimes que o Estado quer perpetuar com esta penalização autista e absurda.

Mas por estranho que pareça, a culpa não é só do govern, ao que parece desta vez não o culpo... Só a ele.

Mas também ao monte de imbecis que com a hipótese de dar a sua opinião na decisão deste assunto, optaram por não se aborrecer com essa maçada de dar opinião...
Sim, é verdade! Não se lembram?

O Referendo sobre a Despenalização do Aborto foi em 28 de Junho de 1998, e o Não ganhou por 50.8%, a abstenção, nem vale a pena mencionar.

O sector do Não, fez um movimento de incentivo à participação e viu-se no que deu.

Como sempre a praia foi a melhor opção, a mais viável nesse dia. Dessa vez só se poderia atribuir a culpa aos bons dos Portugueses que têm instituições democráticas para nem sequer se preocupam em participar das decisões, mas viva a Democracia!

Agora sobre a nossa presente situação, o barco da organização holandesa «Women on Waves» deverá chegar a Portugal no domingo e ficará ao largo da costa portuguesa até 12 de Setembro.

Como sempre e para não fugir à tradição de autismo, o nosso bom ministro da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, já se manifestou: "caso entre em águas nacionais, respeita a legislação portuguesa ou agiremos se for desrespeitada".

Eu como cidadã portuguesa faço a seguinte pergunta:
- O Sr. Ministro defende assim tão veemente, as nossas águas das invasões diárias dos pescadores espanhóis que continuam a pescar na ZEE (zona económica exclusiva)? Ou deveremos ser mais permissivos nessas situações que afectam as economias familiares dos pescadores portuguesas?

Não será degradante o suficiente, proceder a uma identificação das mulheres que têm de recorrer a esta iniciativa?
Sim porque ao que parece, os navios são obrigados a comunicar quem embarca e desembarca – por questões de segurança!!!!

A bordo do Aurora vão estar dois médicos e uma enfermeira para assegurar que tudo corra bem. Não vai ser como nas casas das senhoras que fazem abortos, muitas nem conhecimentos, nem condições têm para conduzir um aborto.

O Aurora, e as mulheres que nele embarcarem serão criminosos, apesar de os abortos serem realizados em águas internacionais para nem sequer colidir com a legislação e soberania portuguesa.

A injustiça tem que acabar!

Os nossos governantes não evoluem mais do que se vê, e vós leitores?

Haverá alguma esperança para esta nação ou posso esquecer qualquer hipótese de mudança neste 'cú da Europa'?

Desta vez mesmo muito furiosa,

Letra Negra

terça-feira, agosto 24, 2004

Ofertas de emprego

Boas tardes leitores!

Tenho estado ausente da actividade 'bloguística' é um facto, pelo qual eu peço desculpa aos leitores mas, estou a tentar deixar esta condição de dona 'EM' casa.
Tenho procurado emprego, trabalho, qualquer coisa que me dê um rendimento decente ao fim do mês.
Ora qual não é a minha surpresa quando recebo um sms. Não, não era de nenhum amigo, nem de nenhuma amiga, e felizmente não era anónimo, como aconteceu à uns tempos - era um oferta de emprego!!
Sim confesso que fiquei algo surpreendida com o modo como fui contactada mas estamos no novo século.
Estas novas abordagens nada têm de a ver com organismos que ainda insistem em metodologias arcaicas e repressoras de regime fascista, e que insistem que o indivíduo desempregado é um marginal e não pode abandonar o domicílio.
Mas voltando á vaca fria...
Lá fui eu, no dia marcado, muito atempadamente. Odivelas, terra que desconhecia mas passei a conhecer... Como sempre perdi-me!
E lá respondi às perguntas de sempre, lá vendi o meu produto - EU, trabalhadora, dedicada, motivada, essa conversa toda..
Lá me disseram o local, as funções e depois.. depois foi o lado miserável da situação: será um contrato de 15 dias.
15 dias?!
1 semana em Agosto e outra em Setembro.. o que eu recebia nem dava para pagar o passe!
Porque é que estas situações acontecem?
Porque existem pessoas em desespero que até aceitam estas condições degradantes.

Hoje vem a notícia:

" Recuperar licenciados desempregados - Plano da ministra da Ciência e Ensino Superior. Governo pretende recuperar os 40 mil licenciados no desemprego através de cursos de especialização em áreas necessárias à administração pública, (...) A intenção do Governo é reconverter a formação inicial dos licenciados desempregados. (...) "Esta proposta articula-se com um programa desenvolvido em conjunto com o ministério das Finanças e da Administração Pública e prevê um sistema de bolsas para quem pretende reconverter a sua formação, sobretudo em áreas de que a administração pública está carenciada", refere a ministra.

Parece-me bem, esta política dos 3 R - Reconverter, Reciclar e Reutilizar. Mas os 3 R's era uma política a aplicar nos lixos, não era ... ?

Não, nem pensei que eu vou desenvolver. Deixo a notícia e a minha experiência do dia de ontem. Agora gostava de saber como é que vós vos sentis sobre esta situação.

Até à próxima aventura no reino do desemprego, a vossa sempre descontente

Letra Negra