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quinta-feira, outubro 07, 2004

Democracia Condicionada

Bons dias caros amigos, leitores e comentadores deste espaço de livre expressão!

Não sei se têm acompanhado o caso do abandono/afastamento do professor Marcelo Rebelo de Sousa, do seu cargo de comentador dos jornais da noite de domingo da TVI.
Não vi com atenção o directo de domingo mas revi hoje melhor a causa do ressurgimento destas manifestações de Censura em Portugal. Depois de rever, fiquei com a mesma certeza:
Ser perspicaz, impertinente e inteligente é um grande incómodo para muita gente!

Este caso pode ser o primeiro passo para ser estabelecido um precedente muito complexo, um verdadeiro desafio para a nossa democracia - o condicionamento de um direitos básicos como o direito à livre expressão.

Qual vai ser o próximo passo?
Anunciar o regime ditatorial de extrema-direita?
Fazer do nosso Jorge ‘Almighty’ e de Santana Lopes, figuras acessórias e decorativas como fora Américo Tomás nos idos tempos do senhor de Santa Comba Dão, também conhecido por António Oliveira Salazar?

Especulações e divagações à parte, o nosso ‘Almighty’ Jorge Sampaio vai reunir-se com o professor Marcelo Rebelo de Sousa hoje pelas 12.45.
Reunião que partiu de iniciativa própria do nosso Presidente, o que é um facto positivo.
Mas será que dá para auspiciar daqui alguma decisão, uma tomada de posição de força maior sobre esta coligação governante?
Eu como fiquei desiludida da última vez, já não espero nada, só acho que o senhor não tinha vontade de acordar cedo e fazer uma investigação sobre o que se passava.
Bem vista a situação, assim até arranjava uma sábia companhia para o almoço em Belém, não desfazendo da Zézinha, ups… da senhora sua esposa, claro!

Está a gerar-se um ambiente muito negro no nosso país com este governo de ‘Jobs only for friends’ e declarações que ofendem princípios básicos constitucionais e tão arduamente conquistados com o 25 de Abril.

Mas no fundo, bem lá no fundo tenho uma réstia de esperança que isto tudo seja a tempestade para depois vir um bom período de bonança para Portugal.
Nós precisamos disso, e agora mais que nunca.

Esperemos que saia algum fumo branco da reunião-almoço, e eu não estou a falar de vapor dos pratos quentes e requintados da casa do Presidente!

Por agora, desejo um resto de boa manhã e um valente bem haja para todos vós!

A comentadora expectante

LetraNegra

quarta-feira, outubro 06, 2004

Campeões das contratações!

Saudações amigos, leitores e comentadores!

Cada dia sua desilusão!

Todos os dias vejo anúncios de emprego precário, verdadeiro trabalho escravo com um papel de embrulho bonitinho.
Todos os dias, tento convencer-me que, vou ter mesmo que me submeter a esta solução se eu quiser trabalhar. É esta a grande recompensa que o nosso país dá, mas não vale a pena perder mais tempo com auto-comiseração.

Vamos ver as notícias do dia.

79 dias depois, o governo de coligação liderado (?) por Pedro Santana Lopes, nomeou.... mais de 1034 pessoas para a sua equipe?!
Já se fizeram todas estas contratações em tão pouco tempo?
A uma velocidade de 13 contratações por dia, o governo da continuidade, não está a continuar a política de contenção de contratações.
Ao que consta, o governo de coligação, na fase Durão Barroso - Manuela Ferreira Leite, foi coerente e durante os 5 meses fez 1260 contratações.

Agora como a contenção já não é palavra de ordem, vamos lá fazer contratações como deve ser. E ao que li, tinha de ser o meu pesadelo o melhor empregador - Bagão Felizzz - 96 nomeações!!!
Mas os senhores têm uma justificação:

«A maior parte das nomeações feitas agora resultam da recondução de pessoas, nomeadamente de funcionários públicos com funções nos gabinetes anteriores»

Sic Online

"as nomeações não vão parar para já porque há ministros e secretários de Estado que ainda não nomearam qualquer assesor/colaborador/consultor, administrativos e motoristas"

Portugal Diário

"Das 946 nomeações para os gabinetes, de acordo com o Jornal de Negócios, 403 foram «recrutamentos» a organismos públicos, 293 foram destacados de outros serviços de Estado, e 288 não têm qualquer vínculo à Administração Pública."

Bem… pode ser que me "toque" qualquer coisinha, ou talvez não…

Tantas nomeações, ou em bom português, tantos 'tachos' milionários que esta coligação dá aos amigos!

Vós, meus caros leitores/comentadores, também partilham alguma das minhas opiniões?
Não sou só eu que ando revoltada, nem com contestação barata, certo?

Por hoje é tudo, vou ver se curo esta constipação depressa.
Desculpem lá mas, não há nariz que aguente uma constipação destas durante muito tempo!

A vossa comentadora constipadíssima,
Letra Negra

segunda-feira, outubro 04, 2004

5 de Outubro - Implantação da República



Saudações caros amigos leitores e comentadores!

Sabia que amanhã era feriado. Mas como não me é invulgar, não sabia qual a comemoração que se fazia nesta data. Algumas datas sei mas esta, confesso que não me recordava.
(Desculpem a sinceridade mas só assim pude fazer o post que hoje vos trago.)
Tomada também pela minha típica curiosidade, decidi averiguar todo o contexto da data 5 de Outubro de 1910...

5 de Outubro de 1910

- Pontapé no rabo do Rei D. Manuel II -
Instauração da República e constituição do Governo Provisório a que preside Teófilo Braga..


O dito pontapé foi tão grande, ou tão pequeno, que o Rei foi parar ao exílio em Inglaterra.
D.Manuel II não deve ter ficado muito aborrecido. Afinal o cargo de Rei não foi algo para o qual estava preparado.
Para os que não se lembram (eu inclusive), D. Manuel II subiu ao trono na sequência do regicídio do seu pai, o rei do Carlos, a 1 de Fevereiro de 1908.

Portugal no início de século XX fervilhava com os ideais republicanos que viriam a culminar na sua implantação da República.
Toda a Europa ainda era maioritariamente monárquica. Fomos pioneiros nas lides da libertação da autoridade de Reis. Mas como em todos os processos de mudança aproximavam-se períodos conturbados para os quais a jovem República Portuguesa ainda não estava bem preparada. Desde a sucessão de governos a um ritmo imprevisto, passando pela fragmentação partidária, aos primeiros sinais de anarco-sindicalismo, e não esquecer, as múltiplas tentativas de Restauração da Monarquia, a vida da jovem República Portuguesa não foi pacífica.

Pela primeira vez foram dadas ao povo direitos e liberdades, de associação, de expressão, direitos eleitorais, mas não a igualdade social. Nunca foi conseguido encontrar meios para eliminar as precárias condições de vida da grande massa da população, extremamente pobre e com elevado nível de analfabetismo.

A dificuldade em solucionar questões sociais e a inevitabilidade do fluxo constante de emigrantes (para o Brasil e para os Estados Unidos, principalmente), despovoaram áreas extensas do país e teve reflexos negativos sobre a economia.

Mas um último facto agravou a débil situação portuguesa - a Primeira Guerra Mundial.
Portugal participou numa iniciativa de salvaguardar e defender as colónias ultramarinas.
O resultado desta investida teve um saldo muito negativo para a economia e vidas dos portugueses que foram obrigados a participar na guerra sem qualquer tipo de preparação prévia.

Foi inevitável o descrédito em que caiu a República que acabou por ser convertida no regime Salazarista, com menos direitos, menos liberdades mas maior calmaria e segurança e resistência a factores externos como a II Guerra Mundial.

O cenário da Primeira República assemelha-se à situação actual, não de uma maneira tão radical, mas reparem:
as desigualdades sociais agravam-se, o índice de pobreza extrema é cada vez mais elevado, a opção pela emigração cada vez mais viável.

O que virá depois?

Um novo regime autoritário de Extrema-Direita?

Esperemos que não, mas nunca se sabe...

A pergunta que vos deixo hoje é:
94 anos depois da revolução que deu à luz a primeira República em Portugal, o que é que evoluímos em termos sociais?

Um bom feriado para os que trabalham hoje dia 4 e uma boa continuação de férias para os privilegiados que não contribuem para as taxas de produtividade nacional

A comentadora da desgraça, hoje convertida em comentadora histórica

Letra Negra

quinta-feira, setembro 30, 2004

Questão simples, ou talvez não...

As minha saudações cordiais amigos leitores comentadores,

Hoje não há tortura!

Eu podia falar dos milagres da concorrência no mercado da informática nacional que faz com que a lista dos professores, em vez de demorar uma eternidade, como estava previsto, demorou só uns instantes a ser elaborada. Com os erros pontuais da praxe mas, foi apresentada e os meus amigos professores podem pular de alegria e os miúdos de tristeza,.. é verdade, acabou-se a brincadeira!

E como estamos numa onda de milagres, podia até falar de como uns senhores muito conservadores da Igreja Católica do Canadá resolveram reclamar com o Vaticano porque cá no nosso Portugal, não temos qualquer problema em deixar que outras religiões prestem culto à Nossa Senhora de Fátima. É que por cá somos pessoas pacíficas respeitamos o Ecumenismo divulgado pelo Papa João Paulo II, ou seja, não nos importamos se o Dalai Lama e um Sacerdote Hindu realizem orações na ‘Capelinha das Aparições. O Santuário de Fátima é um dos templos mais lucrativos da Europa. Por isso fazem-se umas queixinhas e começam-se a fazer umas agitações e a solução traduz-se no Vaticano administrar os dinheiros recebidos.
Conveniente, não acham?

Mas não vou falar de nada disto.
Vou colocar-vos uma questão simples.
Como é que os meus caros respondem a esta questão numa entrevista de trabalho:

Quais são os seus prós e os seus contras?

É que eu realmente fico muito embaraçada e 'engasgo-me'.
Como creio que todos os meus amigos/leitores/comentadores têm muito mais experiência, lanço aqui o repto.

A vossa comentadora que agradece a vossa simpática colaboração


Letra Negra

quarta-feira, setembro 29, 2004

Enviaram-me isto!

Saudações amigos, leitores e comentadores!

Fiquei aterrorizada! Recebi esta informação a esta hora tardia mas não podia ficar indiferente, tenho o dever moral de vos passar esta informação que recebi de fonte segura:

Bagão Feliz - Vai criar uma PIDE para os Imposto

Para acabar com a crescente fuga aos impostos, o ministro das finanças acaba de criar a PIDE - Polícia de Impostos e Devedores ao Estado.
"No começo não vão andar armados, mas quem não pagar impostos pode levar com uma marreta ou ser mordido por Pit Bulls. Estamos também a considerar a possibilidade de deportar faltosos para a Guiné ou para a Amadora" anunciou ontem à noite o ministro a Judite de Sousa no Canal 1, enquanto secretamente os inspectores da PIDE entravam nas contas bancárias da apresentadora.
Judite de Sousa acabou por ser detida no final da entrevista, porque há 3 anos atrás bebeu um café e não pediu factura. A jornalista já foi acusada de burla agravada, tanto mais que a sua filha é amiga dum menino que mora na mesma rua da prima da dona do café, o que aponta para a existência de uma fraude organizada em larga escala.
Já depois da entrevista, Bagão Félix foi peremptório: "Houve alturas durante a entrevista em que gaguejei mais do que o normal, mas foi de propósito para ganhar tempo para os meus inspectores poderem analisar as declarações de IRS dos operadores de câmara".
A sede da nova PIDE vai ser em Timor, para evitar ataques de empresários de futebol e empreiteiros. Se souber de alguém que foge aos impostos, ou simplesmente quiser destruir a vida de alguém que não gosta, pode fazer denúncias através do 800 666 666 ou em www.bufo.com/e-cala.

Os 5 melhores delatores de cada mês ganham fins de semana grátis na Casa Pia ou o equivalente em CDs de fotos de José Cid.

Tenham medo, tenham muito medo porque o Bagão Feliz anda por aí à solta e tanto pode estar na esquina como pode estar ao vosso lado!!

Ide em Paz e tende cuidadooo

A vossa comentadora receosa
Letra Negra

segunda-feira, setembro 27, 2004

Afinal somos, ou não, Produtivos?

Saudações caros amigos, leitores e comentadores!

Hoje, como é meu hábito, vi as notícias.
Ainda ensonada, ouvi qualquer coisa como: a OCDE verificou que os portugueses trabalham muito e bem, para o salário que recebem.
Mas como estava meio a dormir, fiquei um pouco descrente.
Ora agora vem uma organização internacional dizer o contrário do que o governo tem andado aí a pregar, nomeadamente que somos uns valentes preguiçosos, que os nossos índices de produtividade são vergonhosos face aos nossos colegas da União Europeia.

Fiz a minha pequena investigação, mais desperta e verifiquei a notícia em causa no site da RTP :

Números da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgados no jornal espanhol El País:
7º em 18 países do mundo desenvolvido - produtividade por hora trabalhada - Irlanda e Eslováquia lideram a lista, mas Portugal encontra-se à frente de países como Suécia, França, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Espanha.
9º lugar em número de horas trabalhadas por ano - 1676 horas por ano, apenas superados por os Eslovenos, Checos, Polacos, Gregos, Japoneses, Espanhóis, Finlandeses e Norte Americanos. Ingleses, Alemães, Franceses, Austríacos, Dinamarqueses e Belgas, ocupam lugares mais abaixo, neste estudo.

Mas uma nova tendência instala-se na Europa: o aumento de carga horária laboral ganhando o mesmo para manter o emprego e combater o desemprego.
A Siemens alemã e a Alitália, detentoras de 37.7 horas semanais estão a negociar com os sindicatos a passagem a 40 horas por semana. A maior carga horária serve para fazer face à crise instalada.
A Confederação Europeia dos Sindicatos alertam para este oportunismo das entidades patronais. Em alguns países já estão em prática 48 horas semanais, enquanto que em Portugal mantemos as 40.. até ver, não vá o Bagão lembrar-se de dizer qualquer coisa ao colega com a pasta da segurança social.
São estes os custos do desenvolvimento, competitividade e dinamismo na Europa. E os lucros?
Ainda não os vi, mas eu vejo muito mal!

Agora deixo-vos aqui um artigo que achei muito interessante, e algo para relembrarem, e chorarem!

Agravamento das desigualdades em Portugal
(…)Tendo em conta os salários que recebem, a produtividade dos trabalhadores portugueses, em termos relativos, até superior à produtividade dos trabalhadores dos outros países da União Europeia. Em segundo lugar, os valores mais elevados de produtividade estão sempre associados a salários mais elevados, não sendo por isso legitimo esperar aumentar significativamente a produtividade em Portugal sem aumentar simultaneamente o nível de remunerações que continua a ser o mais baixo de toda a União Europeia.

Santana diz que aumentos dependem da produtividade
Santana Lopes, depois de ter condicionado o aumento dos salários da administração pública à produtividade, afirmou que não há aumento possível de ordenados acima da inflação. O primeiro-ministro congratulou-se com os números oficiais que indicam um crescimento do PIB.

Agora fiquem indiferentes e digam que o senhor Primeiro Ministro tem razão quando diz que nós não merecemos aumentos de salários.
... Não estou a defender uma causa própria, lembrem-se disto, eu AINDA pertenço ao percentual de desempregados em Portugal.

Boa semana para todos que eu já vou dormir tarde e amanhã vou responder a um anúncio de emprego... mais um.

A vossa comentadora da desgraça,

Letra Negra

quarta-feira, setembro 22, 2004

Dia Europeu sem Carros?

Desde 2000 que Portugal aderiu à iniciativa europeia do substituição do veículo particular pelos transportes públicos.

E desde então que esse dia é caracterizado por um caos porque a alternativa dos transportes públicos na cidade de Lisboa é um pouco deficiente, já para não falar na confusão das várias vias principais da cidade que ficam cortadas ao trânsito.
Qual não é o meu espanto quando reparei que Lisboa parece ter reduzido a iniciativa para... 0 (zero) !?!?!?!?!
Não quis acreditar!
Sei que, ao longo dos poucos anos de vida desta iniciativa europeia, Portugal reduz todos os anos o contingente de cidades aderentes mas a melhor ficou nesta notícia da TSF Online:

"As duas maiores cidades portuguesas, Lisboa e Porto, ficam fora da iniciativa. O primeiro-ministro, Santana Lopes, chegou a afirmar que o Dia Europeu Sem Carros, é «folclórico»."

Ainda mais folclórico que o governo, será ...?
Não me parece, porque depois noutro site vi a declaração magnífica do um dirigente da Liga para a Protecção da Natureza:

"Tem-se chegado à conclusão que o simbolismo do dia pode ser feito numa área mais pequena, evitando custos de logística"

Não. De facto o governo da coligação é capaz de financiar a área da Defesa porque devemos sempre aumentar a segurança nacional (estes espanhóis a mim nunca enganaram..! ou será que são os ingleses?! Não, são os marroquinos a reclamar ainda situações do tempo dos Descobrimentos!).

A área do Ambiente pode viver bem sem financiamentos e ao que consta a actual tutela do Ambiente levou muitas autarquias ao desinvestimento nesta iniciativa porque estamos em tempos de crise.
Então segundo essa teoria, parece que Amadora, Aveiro, Fafe, Évora, Ovar e Vila Franca de Xira, não estão em crise?
Isto é o chamado país a duas velocidades, dois pesos, duas medidas e um monte de coisas aos pares...

E vocês? Também consideram isto apenas um simbolismo de ambientalistas, uma tentativa de salvar uma situação num país em que pouco ou nada pode ser salvo??

Daqui a um ano, este dia “folclórico” vai desaparecer do calendário nacional!

A vossa comentadora sempre a pé,

Letra Negra

terça-feira, setembro 21, 2004

Aprendam com quem sabe!

Saudações cordiais meus caros amigos, leitores e comentadores deste humilde blog!

Numa destas minhas ocasiões de leitura da revista semanal “Visão” encontrei algo que me impressionou deveras. Não se tratava das imagens do massacre de professores, alunos e respectivas famílias portuguesas uma vez que isso já é um precedente deste bom governo de coligação.Era algo melhor. Algo que nunca pensei ouvir de um grande homem de negócios do nosso Portugal dos pequeninos, o sr. Ludgero Marques. E rezava assim o pequeno artigo:

O Fim dos Doutores e Engenheiros...
Desde que a Associação Empresarial de Portugal (AEP) tornou pública a nota interna que aboliu o tratamento por «senhor douto» ou «senhor engenheiro» que o telefone não pára de tocar.São várias as empresas que, ao mesmo tempo que dão os parabéns pela medida tomada, pretendem saber em que legislação se fundamentou tal decisão para que possam avançar com igual medida dentro de portas. O possível fim do provincianismo lusitano causou mesmo surpresa na vizinha Espanha e houve até um jornal da Galiza que entrevistou o engenheiro, perdão, o sr. Ludgero Marques acerca do assunto.No final, o galego não escondeu o entusiasmo, considerando que a abolição dos títulos académicos no tratamento institucional iria facilitar imenso as relações luso-ibéricas.
... e o embaraço das secretárias
(...) , a verdade é que tal medida está a causar grandes embaraços nas secretárias. Habituadas à bengala do «dr.» e «eng.» para dialogarem com os chefes, a língua não descai agora facilmente para o simples«senhor» ou «senhora», designação geral aprovada em conselho de administração. Vai daí, e Ludgero Marques já passou a «senhor... presidente».
in Exemplo, Visão n.º 602 de 16 de Setembro de 2004


Ora aqui está um verdadeiro exemplo dado por um homem do norte!
Ludgero Marques - Licenciado em Engenharia Mecânica, vem acumulando há anos um grande prestígio nacional e internacional como empresário. À frente da AEP - Associação Empresarial de Portugal durante 20 anos, Ludgero Marques consegue dar uma lição às tentativas frustradas de grandes empresários e gestores portugueses que vivem um pouco à custa do respeito ridículo dos «eng.» e do «dr.».
Trata-se de divulgar e implementar um reconhecimento, não por um grau académico mas por mérito e provas dadas no mundo do trabalho, reconhecimento esse que é muito deficitária nos nossos grandes gestores empresariais.
Pessoalmente, com curso ou sem curso, respeito as pessoas que me respeitam. Sejam elas, doutores, engenheiros, agricultores, colegas desempregados, e o diabo a sete! Só não tolero muito bem os senhores doutores sem consultório, ou sem doutoramento. Quanto a engenheiros, …Não tenho muito a apontar, uma vez que as pessoas que conheço são maioritariamente da área de humanidades, e os que são de ciências e engenharia, só aceitam o nome de engenheiros se ocuparem os devidos cargos, e como nenhum ocupa … somos todos simplesmente amigos, ou conhecidos.

Uma boa semana para todos, os que trabalham, os que estudam, e os que vão às entrevistas, como eu!

A licenciada em desgraça
Letra Negra

sexta-feira, setembro 17, 2004

Afinal...



Tinha que vos revelar esta imagem inédita que encontrei
do Sr. Bagão Feliz. Para ser verdadeira vi-a aparecer diante de mim depois de assitir à entrevista na RTP1.

Afinal, e apesar de negar sempre, o Bagão Feliz tem mesmo uma varinha mágica.

Mas isso era mínimo, ele que tivesse até o fato todo do Harry Potter por mim era indiferente, mas o pior é que ele já começou com as suas magias maléficas:
Desde anular os planos estratégicos para as Finanças da
ex-ministra Ferreira Leite, passando pelo desaparecimento das bonificações dos Planos Poupança Habitação e Planos Poupança Reforma, ele aos poucos começa a sua obra maligna..

"- Mas o senhor Feliz não faz magias boas como o Harry Potter?"
Parece que não meus amigos...


Mas vamos lá ver se esta versão rasca de Harry Potter não se vai dar mal. Afinal onde é que está a estabilidade e continuidade nos planos do anterior governo que serviu para que o Jorge 'Almighty'não dissolver o Governo?... Não acho que estejam aqui.
Como a noite já vai bem avançada (são agora 03.23 A.M.) espero estar suficientemente cansada para não ter pesadelos com este bicho feio.
Ide em paz e sorriam, amanhã é fim-de-semana :D
a vossa sempre atormentada
Letra Negra

quinta-feira, setembro 16, 2004

Qualquer semelhança com a realidade...

É pura coincidência!

35 anos depois, o Bagão Feliz resolveu ressuscitar o conceito Marcelista das "Conversas em Família" e veio fazer uma "conversa à nação".

Não tão dissimuladamente como o precursor do conceito, Bagão veio falar aos portugueses num tom igualmente paternalista sobre as finanças do país como se tratasse de uma família portuguesa a viver acima das possibilidades.
Da minha família não estava a falar, e da vossa meus bons leitores, creio que também não.

Depois conjecturava sobre muitos assuntos perfeitamente descabidos, a existência de demasiados funcionários públicos...

É um facto, ser funcionário público no nosso país continua a dar direito a umas quantas regalias, a nível de saúde e segurança laboral. Por exemplo, não têm aumentos como nos sectores privados, mas comparativamente com os trabalhadores do sector privado, não precisam de viver com o coração nas mãos com a situação do despedimento uma vez que passem ao tão invejável "quadro" de onde ninguém os tira.

Mas voltando à existência de demasiados funcionários, se o senhor estava a falar de atendimento público tenho de lhe dizer que não acredito, senão vejamos, não verificávamos os atrasos nos reembolsos do IRS, os sucessivos enganos nas atribuições de colocações dos professores, fora as senhoras muito simpáticas do atendimento ao público que devem ter todas graves problemas urinários que as impedem de ficar muito tempo sentadinhas a atender as pessoas que se vêem obrigadas a recorrer a tão célere e agradável esclarecimento.

O outro ponto desta nossa família a viver acima das possibilidades, foi o anúncio que teríamos que continuar os esforços para alcançar o défice estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Eu faço a pergunta, provavelmente errónea, Onde é que foram parar os milhões que entraram no nosso país com o Euro 2004? Já sei! Foi para pagar os estádios,... Mas já não estavam pagos? Confesso, não sei!

Como é que crescemos alguma coisa se desmoralizamos cada vez mais os que trabalham e optamos por despedir boa parte da mão-de-obra qualificada que trabalha?
Eu ainda acredito que este governo de coligação de extrema-direita, confundiu a “Estabilidade”, com “Estagnação”

Pior que isso, creio que, se a Manuela Ferreira Leite nos dizia: "apertem o cinto!", o Bagão Feliz veio dizer-nos, sempre em registo paternalista: "Vou apertar vos o pescoço!".

Estamos cada vez mais próximos do antigo modelo da extrema-direita que vigorou em Portugal, e o bom do Primeiro-Ministro, que não é tão à direita quanto isso, está mais entretido em manter e promover as relações entre Portugal e Brasil.
É uma opção menos nefasta de conduzir o país, mas…

Não se pode fazer muito, ou melhor não se pode fazer nada.

Que venha a corda para me enforcar que assim sou menos uma dessas pessoas a viver acima das minhas possibilidades e a pesar para o orçamento de Estado!

Bem-haja caros amigos, leitores e comentadores, da nossa desgraça,

Letra Negra