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segunda-feira, setembro 27, 2004

Afinal somos, ou não, Produtivos?

Saudações caros amigos, leitores e comentadores!

Hoje, como é meu hábito, vi as notícias.
Ainda ensonada, ouvi qualquer coisa como: a OCDE verificou que os portugueses trabalham muito e bem, para o salário que recebem.
Mas como estava meio a dormir, fiquei um pouco descrente.
Ora agora vem uma organização internacional dizer o contrário do que o governo tem andado aí a pregar, nomeadamente que somos uns valentes preguiçosos, que os nossos índices de produtividade são vergonhosos face aos nossos colegas da União Europeia.

Fiz a minha pequena investigação, mais desperta e verifiquei a notícia em causa no site da RTP :

Números da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgados no jornal espanhol El País:
7º em 18 países do mundo desenvolvido - produtividade por hora trabalhada - Irlanda e Eslováquia lideram a lista, mas Portugal encontra-se à frente de países como Suécia, França, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Espanha.
9º lugar em número de horas trabalhadas por ano - 1676 horas por ano, apenas superados por os Eslovenos, Checos, Polacos, Gregos, Japoneses, Espanhóis, Finlandeses e Norte Americanos. Ingleses, Alemães, Franceses, Austríacos, Dinamarqueses e Belgas, ocupam lugares mais abaixo, neste estudo.

Mas uma nova tendência instala-se na Europa: o aumento de carga horária laboral ganhando o mesmo para manter o emprego e combater o desemprego.
A Siemens alemã e a Alitália, detentoras de 37.7 horas semanais estão a negociar com os sindicatos a passagem a 40 horas por semana. A maior carga horária serve para fazer face à crise instalada.
A Confederação Europeia dos Sindicatos alertam para este oportunismo das entidades patronais. Em alguns países já estão em prática 48 horas semanais, enquanto que em Portugal mantemos as 40.. até ver, não vá o Bagão lembrar-se de dizer qualquer coisa ao colega com a pasta da segurança social.
São estes os custos do desenvolvimento, competitividade e dinamismo na Europa. E os lucros?
Ainda não os vi, mas eu vejo muito mal!

Agora deixo-vos aqui um artigo que achei muito interessante, e algo para relembrarem, e chorarem!

Agravamento das desigualdades em Portugal
(…)Tendo em conta os salários que recebem, a produtividade dos trabalhadores portugueses, em termos relativos, até superior à produtividade dos trabalhadores dos outros países da União Europeia. Em segundo lugar, os valores mais elevados de produtividade estão sempre associados a salários mais elevados, não sendo por isso legitimo esperar aumentar significativamente a produtividade em Portugal sem aumentar simultaneamente o nível de remunerações que continua a ser o mais baixo de toda a União Europeia.

Santana diz que aumentos dependem da produtividade
Santana Lopes, depois de ter condicionado o aumento dos salários da administração pública à produtividade, afirmou que não há aumento possível de ordenados acima da inflação. O primeiro-ministro congratulou-se com os números oficiais que indicam um crescimento do PIB.

Agora fiquem indiferentes e digam que o senhor Primeiro Ministro tem razão quando diz que nós não merecemos aumentos de salários.
... Não estou a defender uma causa própria, lembrem-se disto, eu AINDA pertenço ao percentual de desempregados em Portugal.

Boa semana para todos que eu já vou dormir tarde e amanhã vou responder a um anúncio de emprego... mais um.

A vossa comentadora da desgraça,

Letra Negra

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