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domingo, setembro 04, 2005

2 Dias Cansativos - Parte II

Boas noites caros amigos sem sono que estejam acordados a esta hora :)

Será possível que só agora consegui parar para fazer a continuação do outros post ?!
Parece que agora é de vez que acabo a minha aventura.

Da última vez que aqui estive contei-vos do dia em que fui assaltada em pleno emprego.
Não vos disse foi o depois desse dia em que ouvi coisas maravilhosas como:
Não devias abrir a porta a qualquer um!!
É verdade. O indivíduo em causa até tinha escrito na testa ladrão e eu não vi...
Depois de uma noite sem sono, o outro dia parecia que ia ser no mínimo infernal!

10.00 - Centro de emprego.
Esperei a meia hora da praxe (se fosse de outra maneira até desconfiava) e lá a senhora fez as perguntinhas da treta e eu informei-a - NOVAMENTE - que estava empregada. E que só diria o contrário se tivessem uma boa proposta de emprego, mas tal não foi o caso.
Lá preenchi os papelinhos outra vez, assine aqui, rubrique ali, indique o seu n.º de beneficiário...
Às 11 horas tava na rua.

11.15 - Loja da Operadora ainda mais ladra que o ladrão que me levou o telemóvel.
Depois de entregar o monte de papéis necessários, lá dei a assinatura para bloquear o meu equipamento, vulgo, telemóvel.
.. Ficam a saber que o bloqueio dos cartões não é de efeito imediato porque o romeno ainda teve tempo para consumir o meu crédito..

11.45 - Posto de emprego vulgo local do crime.
Nada como fazer as contas aos impostos e contribuições dos outros.
Vi no meu mail que no dia anterior, amigos tinham telefonado para saber como eu estava e foram atendidos de uma maneira pouco educada.
- Desculpem lá amigos mas nem soube se me ligaram, nem coisa semelhante porque a pessoa com quem eu trabalho acha que isso é informação desnecessária para o meu bom desempenho depois de um assalto.
O mais cruel é que quando pergunto se alguém ligou a resposta é sempre a mesma: Não!

13.15 Almoço
Não me apetecia comer coisa alguma mas lá fiz um esforço para meter um bitoque sem ovo e sem batata frita na barriga.
Alguns amigos que também comem no mesmo sitio que eu ficaram preocupados se eu estava bem e por esse facto fiquei um bocadinho mais crente na comunicação e humanidade das pessoas que me rodeiam.

O resto da tarde foi monótona sem qualquer incidente e poucos clientes o que deu para adiantar mais os meus preparativos de fecho de mês.
Um dos nossos clientes, o bom amigo norte-americano V. apareceu como todas as outras tardes. É um velhote porreiro mas só quando lhe apetece e quando não começamos a conversar de G. Bush.
Quando o tema é esse a conversa acaba sempre com a mesma frase:
- U're such a redneck!!!
Mas naquela tarde, o bom do velhote V. fez a coisa mais surpreendente:
- Tenho uma prenda pra ti!
- Sério?
- Toma.
O senhor em causa ofereceu-me um telemóvel igual ao que me tinham roubada da mesma operadora e tudo.
- Eu não posso aceitar a sua gentileza sr. V., eu não lhe posso pagar o telemóvel.
- Pagas aos poucos quando puderes.
Nisto entra o chefe.
- Então já encontraste o telemóvel?
- Não, foi o sr V. que me deu.. - nem terminei a frase.
- Fogo sr. V, só a mim é que não dá nada!
A partir desse instante fiquei apresentada à natureza humana tal como ela é.
Quem tudo tem, não tem restrições à sua ambição!
O que me valeu é que já era hora de sair e agradeci a delicadeza e atenção do sr. V mas não aceitei a prenda porque parecia que a prenda já estava mais que 'enguiçada' pelo meu chefe.
Quando cheguei a casa qual não foi a minha surpresa quando o meu pai me ofereceu o telemóvel em questão.
Fiquei igualmente sensibilizada pelo gesto uma vez que eu já estava a fazer mil e um planos de poupança e retenção de despesas na minha fraca economia.
Ainda tenho muitos contactos literalmente perdidos, contactos de amigos que eu não vou voltar a ver tão cedo e que estão bastante longe de mim e de qualquer tecnologia.

Enfim, a raça humana é muito nobre.
Os pobres devem continuar pobres, os ricos, mais ricos devem ficar.
... E depois existe o caso de países ricos que andam pelo mundo fora a pregar liberdade, e igualdade e fraternidade e depois quando têm de fazer face a uma catástrofe natural ficam tão pobres, tão pobres que nem sequer ousam desviar os fundos e os militares das frentes de guerra extintas à muitos meses para fazer mais facilmente a reconstrução da nação, optam antes por pedir misericórdia ao resto do mundo....
Enfim.

Um resto de um bom fim-de-semana para todos!

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